Comer e Beber

Os mercados de Lisboa, dos frescos às velharias

Time Out Market, Campo de Ourique, Feira da Ladra e Arroios: quando ir a cada um

Redação Dazona

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5 min de leitura

Os mercados de Lisboa, dos frescos às velharias

Lisboa tem hoje duas culturas de mercado a viver lado a lado. De um lado, o mercado tradicional de bairro, onde se compra peixe e hortaliça de manhã e tudo fecha à hora de almoço. Do outro, o food hall, reinventado para comer e ficar, com balcões de chefs e mesas corridas até à noite. Nenhum substitui o outro, e a melhor maneira de conhecer a cidade é passar pelos dois.

Estes são os quatro que recomendamos, com as horas certas para cada um.

Mercado da Ribeira (Time Out Market)

O grande mercado do Cais do Sodré vive duas vidas debaixo do mesmo telhado de ferro. De manhã, a nave tradicional ainda funciona como mercado de frescos. Ao lado, o Time Out Market, aberto em 2014, reúne balcões de alguns dos nomes mais conhecidos da cozinha portuguesa e mesas comuns sempre cheias.

Sejamos honestos: é o mercado mais turístico da cidade, os preços refletem isso e à hora de jantar pode ser difícil encontrar lugar. Mas a curadoria é real e permite provar boa cozinha portuguesa num só sítio.

  • Vá para: provar vários chefs numa refeição, sem reservas.
  • Melhor hora: almoço de dia de semana, antes do meio-dia e meia, ou ao fim da tarde fora das horas de ponta.
  • Evite: sexta e sábado à noite, salvo se tiver paciência para a caça à mesa.

Mercado de Campo de Ourique

A versão de bairro do mesmo conceito, e para muitos lisboetas a mais conseguida. O mercado é de 1934 e foi renovado em 2013: as bancas de peixe, fruta e flores continuam no centro, rodeadas por tasquinhas de petiscos, marisco e doces. A escala é mais humana do que na Ribeira e a clientela é sobretudo do bairro.

Campo de Ourique fica fora dos circuitos do centro, o que é meio caminho para gostar dele. Apanhe o elétrico 28 até ao fim da linha e junte a visita a um passeio pelo bairro e pelo cemitério dos Prazeres, mais interessante do que o nome sugere.

  • Vá para: almoçar bem sem multidões e ver um mercado que ainda serve quem mora à volta.
  • Melhor hora: de manhã para os frescos, almoço para as tasquinhas.
  • Nota: as bancas tradicionais fecham cedo; a zona de restauração continua pela tarde e noite dentro.

Feira da Ladra

A feira de velharias mais antiga da cidade, com origens documentadas no século XIII e instalada no Campo de Santa Clara, atrás de São Vicente de Fora, desde 1903. Acontece à terça-feira e ao sábado, e é outra coisa: não se vem comer, vem-se escavar. Azulejos soltos, vinis, fardas antigas, loiça de casas desfeitas, livros, e bancas inteiras de objetos impossíveis de classificar.

Duas estratégias funcionam. Chegue cedo, perto das nove, para apanhar as melhores peças antes dos negociantes. Ou apareça ao início da tarde, quando os vendedores começam a desmontar e os preços descem. Regateie sem medo, faz parte, e leve dinheiro vivo: poucas bancas aceitam cartão.

  • Vá para: azulejos antigos, vinis, achados que não cabem em mais lado nenhum.
  • Melhor hora: terça ou sábado de manhã cedo, ou depois das 14h para pechinchas.
  • Bónus: está mesmo ao lado do Panteão Nacional e de São Vicente de Fora.

Mercado de Arroios

O mercado mais multicultural de Lisboa, num dos bairros mais diversos da cidade. Na praça circular de Arroios, as bancas de frescos convivem com produtos de meio mundo, do Bangladesh ao Nepal e à China, num retrato fiel de quem hoje vive à volta. É um mercado de manhãs, de segunda a sábado, e quase sem turistas.

Não espere espetáculo nem balcões de chefs: é um mercado a sério, com tudo o que isso tem de bom. Junte a visita a um almoço nas tascas e restaurantes asiáticos das ruas em redor, das melhores mesas baratas da cidade.

  • Vá para: ver o mercado tradicional vivo e fazer compras que não encontra no supermercado.
  • Melhor hora: manhã de sábado; confirme os horários no site da câmara antes de ir.

Tradicional ou food hall?

Não é uma escolha, é uma questão de hora do dia. Os mercados de frescos vivem de manhã e morrem depois do almoço; os food halls só ganham vida ao meio-dia e enchem à noite. Quem quiser ver o melhor dos dois mundos faz a manhã em Arroios ou nas bancas de Campo de Ourique e o jantar nas tasquinhas do mesmo mercado.

Notas práticas

  • Os mercados de frescos funcionam de manhã; depois das 13h sobra pouco. Chegue cedo.
  • Na Feira da Ladra, dinheiro vivo e calçado confortável: o Campo de Santa Clara é em calçada e a feira espalha-se.
  • Horários mudam com estações e obras; confirme no site oficial de cada mercado ou da Câmara de Lisboa.
  • Domingo é mau dia para mercados em Lisboa: os tradicionais fecham e só os food halls funcionam.

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